em 04/05/2016 - 20:06

Como a voz influencia as emoções?

Imagine se houvesse um aplicativo capaz de modificar o tom emocional de sua voz para aumentar seu nível de felicidade…





Imagine se houvesse um aplicativo capaz de modificar o tom emocional de sua voz para aumentar seu nível de felicidade…

Na verdade, este dispositivo já existe! Ele foi desenvolvido por pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS, na sigla em francês) e de três universidades: uma francesa, uma japonesa e uma sueca.

O estudo realizado em conjunto por estas entidades demonstra que nosso cérebro ajusta seu humor em função da tonalidade de nossa própria voz.

Uma das formas de controlar e regular a expressão de nossas emoções é tentar fingir que os acontecimentos não nos afetam. Assim, de acordo com J-J Aucouturier, principal autor do estudo, “deveríamos conseguir detectar e corrigir os erros emocionais que cometemos”.

E a expressão vocal é, sem dúvida, a melhor maneira de avaliar o grau de consciência que as pessoas têm de suas próprias expressões emocionais.

De fato, durante uma conversa, é possível captar um sinal e modificar sua tonalidade emocional antes de ‘devolvê-lo’ ao interlocutor. Partindo desse conceito, Aucouturier e sua equipe criaram uma plataforma digital para estudar os mecanismos implementados pela produção destas emoções vocais.

Para este primeiro estudo, foi conduzida uma experiência na qual os participantes tiveram de ler em voz alta um texto curto escutando simultaneamente o som de sua voz, levemente modificada – sem eles saberem – para parecer mais alegre, triste ou assustada.

Para inserir alegria, os pesquisadores aumentaram o tom da voz e enfatizaram as primeiras sílabas das palavras. Para simular a tristeza, fizeram o contrário: abaixaram o tom da voz e diminuíram a intensidade no fim das palavras.

 

 

Os 112 participantes do estudo, sendo 92 mulheres com idade média de 20 anos, responderam a uma série de perguntas para determinar se perceberam as manipulações de sua voz.

Outras 90 participantes – todas elas mulheres com idade média de 21 anos – relataram seu estado emocional antes e depois da leitura do texto. Suas respostas foram categorizadas por emoções (felizes, otimistas e tristes) e tensões (perturbadas, ansiosas e relaxadas).

Os resultados mostraram que quando os participantes escutam sua voz, seu estado emocional muda segundo a modificação feita (mais alegre, triste ou assustada), e a grande maioria deles nem percebe a modificação de sua voz.

“O cérebro processa diretamente o som de nossa própria voz sem que tenhamos consciência disso, para nos informar sobre nosso estado emocional”, concluiu Aucouturier.

Concretamente, isso significa que é possível influenciar os estados emocionais observando as características de uma voz e corrigindo ela em consequência, para provocar uma mudança de humor no cérebro. Para K. Watanabe, coautor do estudo, a plataforma pode ser utilizada com fins terapêuticos.

Para conhecer o aplicativo, acesse o link: http://cream.ircam.fr/?p=44

 

Fonte : J-J Aucouturier et al., Covert digital manipulation of vocal emotion alter speakers’ emotional states in a congruent direction, PNAS, janeiro de 2016.

Tradução: Yann Walter




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